Tecnosexuais?!

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/20122008/40/economia-sucesso-vendas-eletronicos-acabam-2008.html

Redação Central, 20 dez (EFE).- Mesmo o mercado sendo mais veloz que as necessidades do consumidor, o sucesso de gadgets como o iPhone e o BlackBerry confirma que, para algumas pessoas, a posse desses aparelhos vai além da satisfação pessoal, podendo significar prestígio social ou uma compulsão pelo novo.

“Algumas pessoas passam muito tempo pensando no passado, principalmente se acham que sua vida antes era melhor. Apegam-se à música e aos amigos daquela época. Outros vivem no presente. E um terceiro grupo vive no futuro, admirando as coisas novas e pensando que suas vidas melhorarão”.

Os neófilos, ou os que são viciados em novidades, pertenceriam a este último grupo, explica à Agência Efe Philip Kotler, autor de vários livros sobre marketing e considerado a maior autoridade do mundo no assunto.

“Há pessoas satisfeitas com seu celular mas que continuam na expectativa de novos lançamentos, que se perguntam se estão perdendo uma câmera de melhor qualidade, uma conexão mais rápida ou um novo jogo para telefones”, exemplifica.

As empresas, naturalmente, já sabem da existência desses potenciais consumidores e, por isso, dosam sua “capacidade de superação” eletrônica com lançamentos esporádicos para este público, cuja obsessão é acompanhar – e comprar – cada pequeno avanço.

Entre o surgimento do vídeo e do DVD, por exemplo, passaram-se 20 anos, ao passo que o intervalo entre o lançamento do DVD e da tecnologia Blu-ray, que permite a gravação de imagens em alta definição e o armazenamento de dados de alta densidade, diminuiu para dez anos.

A evolução paulatina dos videocassetes, aliás, é um bom exemplo da tática dos fabricantes de, de tempos em tempos, despejarem novas gerações de aparelhos nas lojas de eletroeletrônicos, já que primeiro ele apareceu como reprodutor, depois como gravador e, finalmente, em versões de até oito cabeças.

É por conta dessa lógica, e para estimular ou aumentar o apetite dos consumidores, que hoje é possível encontrar uma infinidade de modelos de computadores portáteis, TVs de plasma e câmeras à venda, quase sempre anunciados como os mais modernos ou os de melhor qualidade ou definição.

O fascínio exercido pela tecnologia, principalmente sobre o público masculino, cresceu tanto que até propiciou o surgimento do termo “tecnosexual”, usado para se referir àqueles que possuem um apurado senso estético e uma paixão incontrolável por aparelhos eletrônicos de última geração, a ponto de tratarem seus iPods e BlackBerries como símbolos de poder e status social.

Segundo Kotler, a relação homem-gadgets chegou a um nível tal que muitas vezes um telefone diz algo sobre quem o usa.

“A pessoa que usa um BlackBerry está esperando um e-mail ou o fechamento de um negócio. Por outro lado, quem usa um iPhone – que vendeu 11 milhões de unidades em três meses – é criativo e gosta de música e fotografia”, uma espécie de tecnoboêmio, explica o especialista.

No caso da Apple, fontes da empresa disseram à Efe que, ao desenvolverem seus gadgets, que estão entre os mais desejados do mercado, a fabricante se baseia mais no “componente emocional” do produto do que em inovações.

Para nós, “o design é fundamental, porque o usuário passa muitas horas do dia com o aparelho”, e o iPhone, nesse sentido, é a culminação de “30 anos de trabalho”, argumenta a marca, que, no entanto, canaliza o impulso de compra do consumidor para acessórios como fones de ouvido, estratégia que fez seu lucro no último trimestre fiscal de 2008 crescer 26%, para US$ 1,140 bilhão.

Kotler diz ainda que, apesar dos vários tipos de consumidores, há os que sempre trocam aparelhos pouco usados por outros novos. “Quando o novo produto deixa-os tentados, eles vão a uma loja se informar e, freqüentemente, acabam comprando o objeto e assinando um novo contrato”, resume Kotler.

No entanto, quando o desejo por aparelhos novos se intensifica, pode virar um vício e levar a pessoa à ruína, uma vez que o ato de ir às compras libera endorfinas no cérebro, que são tão satisfatórias quanto qualquer outra substância estimulante.

Países de culturas milenares se revelaram especialmente sensíveis a esse fenômeno. Há dois anos, psicólogos da Universidade de Yamagata, ao norte de Tóquio (Japão), foram além e relacionaram esse mecanismo a uma enzima presente nas mitocôndrias.

Segundo o estudo, publicado na revista “Psychiatric Genetics”, esse composto químico estaria presente, principalmente, em pessoas brilhantes, de alto nível educacional e, sobretudo, em adolescentes.

No Japão, por exemplo, existem diferentes tipos de cerveja para cada estação do ano, há exposições que duram três dias e os produtos, em vez de terem seu conteúdo ou fórmula alterados, apenas têm suas embalagens renovadas, para maior satisfação do consumidor e, principalmente, dos empresários

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