Tire a mão do bolso do contribuinte

Em vez da faxina propagada, a presidente Dilma Rousseff quer limpar mesmo é a carteira do brasileiro. Está rodando o País atrás de apoio popular para a volta da CPMF, o extinto e malfadado imposto do cheque. Sua tática foi herança do antecessor. Primeiro, vaza o assunto para sabujos da base aliada e no agosto do cachorro doido alguns do Congresso sussurraram a “salvação” para que todos ouvissem. Depois, a própria chefe chora a ausência de recursos para a área. Em seguida, a bancada dinheirista e a patroa esperam a grita. Se a reação não for à altura do ataque, se sentirão à vontade para tascar a mão nos trocados de quem transpira para conseguir.

A presidente reclama de cofre cheio. O que lhe sobra em verba, falta em razão. Se pretendesse de fato investir no setor, nem pensaria em acrescentar item ao maior fardo tributário do planeta. Dilma destinou R$ 70,9 bilhões à Saúde no Orçamento de 2011, pouco acima dos 70 bilhões que está dando aos bancos na acumulação de reservas internacionais e demais erros, como a remuneração dos juros, outro ranking assombroso liderado pelo Brasil. E assim desce a ladeira íngreme da eleição de prioridades.

Habitação é fundamental? Claro. Ergue-se o “Minha casa, minha vida”, infla-se o metro quadrado, empreiteiros festejam, especuladores fazem a bolha e o governo patrocina R$ 32 bilhões em subsídios de juros. Linguiça e picanha são vitais à cesta básica? Óbvio. Tomem R$ 7,4 bilhões para Sadia, Perdigão e JBS Friboi tirados do BNDES, a mãe dos espertalhões, que apenas em 2011 pagou 20 bilhões em subsídios de juros (de novo!) para grandes corporações e supera 280 bilhões aplicados por aí. Melhor não perder a conta: só em subsídios já são 90 bilhões, perto dos 100 pretendidos pelos secretários estaduais de Saúde.

Para a presidente, nada se resolve sem derrama. Quando ministra da Casa Civil, moveu mundos para manter a CPMF e jogou duro com opositores ao escândalo. O sofrimento ficou, por exemplo para os internos de entidades beneficentes, pois ela mandou reter até depósitos na Caixa referentes a emendas dos que acabaram com a extorsão do cheque. Agora, condiciona a aprovação da Emenda 29 à recriação do acinte, como se o saldo estivesse no vermelho — a Receita estima para este ano aumento de 11,5% na arrecadação. Dilma exige novo pé de dinheiro para cobrir o aumento de investimentos. Sua catrevage fala em legalizar jogos (a presidente não tem coragem, pois teme a repercussão) e apertar taxas de bebida e cigarro (usuários são os únicos contra), mas a tentação suprema é inventar imposto.

Na estratégia de lançar aberrações para aguardar o esperneio, Dilma diz que “melhorar a saúde sem dinheiro é demagogia”. Por essa teoria, dinheiro é somente o dos contribuintes, que planeja tomar via impostos. Não lhe passa pela cabeça reduzir os gastos com a companheirada, estancar os presentes para a banca estrangeira, conter os desvios e recuperar as somas surrupiadas. Enfim, algum esforço além de obrigar a sua gente no Parlamento a penalizar ainda mais quem trabalha e produz. Se a sociedade não se manifestar agora, pode acordar de bolso estourado.

Fonte: Demóstenes Torres

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